Aparador Brutalista
Artista: Autor Desconhecido
Data: Anos 70
Tipo: Aparador
Dimensão: 80 x 160 x 51 cm
Técnica: Estrutura em madeira maciça. Arestas arredondadas.
Status: Disponível
Cód ID #359
Preço: R$ 12.000,00
Sem atribuição definida, este aparador dos anos 1970 pertence a uma faixa de produção em madeira maciça que se firmou naquela década, quando parte das oficinas e fábricas de médio porte passou a trabalhar com seções mais espessas e estruturas explícitas, afastando-se da leveza que caracterizara o mobiliário moderno da década anterior. A designação brutalista, aplicada retrospectivamente pelo mercado a peças desse tipo, descreve menos um movimento organizado do que um conjunto recorrente de escolhas construtivas: massa aparente, arestas suavizadas por arredondamento e supressão de ferragens. Ainda que a autoria não possa ser estabelecida, o desenho se aproxima de soluções correntes no mobiliário brasileiro do período, sobretudo no emprego de madeira maciça de tom quente e na organização da frente por relevo, sem recurso a materiais contrastantes.
A caixa é executada em madeira maciça, com montantes de canto de seção espessa e arestas arredondadas que avançam ligeiramente além dos planos superior e inferior, delimitando o volume. A frente se divide em três campos: duas portas laterais de painel único e um módulo central com duas gavetas sobrepostas. Todos os painéis são recuados em relação ao quadro que os envolve, e a moldura resultante, também arredondada, produz uma linha de sombra contínua que substitui o puxador, a abertura se dá pelo rebaixo entre painel e moldura. O veio se organiza de modo simétrico nas frentes, acompanhando a divisão do conjunto. A caixa se apoia sobre uma base independente, formada por dois montantes verticais em prancha, recuados em relação às extremidades e unidos por uma travessa horizontal, que terminam em sapatas retangulares baixas. O conjunto mede 80 x 160 x 51 cm.
O interesse do desenho está na relação entre a massa da caixa e o modo como ela é erguida. Os montantes da base, recuados em relação às laterais, deixam as extremidades em balanço e introduzem uma leitura de suspensão que contraria a densidade do volume; a travessa horizontal, visível entre os apoios, reforça essa separação ao registrar a base como estrutura autônoma, e não como prolongamento do corpo. O mesmo raciocínio organiza a frente: em vez de dividir a superfície por ferragens ou por materiais distintos, o desenho opera apenas por profundidade, e o rebaixo dos painéis é o único recurso de composição disponível. A espessura, nesse arranjo, não aparece como excesso, mas como o meio pelo qual a peça se articula.














