Armário Art Deco
Artista: John Graz
Data: c. 1930
Tipo: Estante
Dimensão: 178 x 1,25 x 60 cm
Técnica: Rádica aplicada em marchetaria, volume curvo e ferragens geométricas niqueladas.
Status: Disponível
Cód ID #438
Preço: R$ 55.000,00
Este armário/bar de John Graz, produzido por volta de 1930, pertence ao período em que o artista e designer suíço-brasileiro consolidava sua atuação em São Paulo como uma das vozes mais consistentes do Art Déco no Brasil. Chegado ao país em 1920 junto ao grupo de artistas que animaria a Semana de Arte Moderna de 1922, Graz rapidamente se destacou como decorador de interiores e designer de mobiliário para uma clientela paulistana que buscava modernidade sem abrir mão de refinamento. O armário se insere nessa produção madura, quando seu vocabulário formal já combinava com desenvoltura influências da vanguarda europeia e materiais de extração local.
O volume se resolve em 178 × 125 × 60 cm e estrutura-se a partir de um corpo prismático revestido em rádica — madeira com veio retorcido e figura marcante — trabalhada em marchetaria sobre as faces planas. O elemento central é o módulo curvo que ocupa a lateral direita do conjunto: uma coluna de seção semicircular, revestida em painéis verticais de palissandro dispostos em ripas, que percorre toda a altura da peça e abriga internamente uma secção de bar com prateleiras. Na base, um compartimento menor de porta curva independente complementa esse módulo. As ferragens são niqueladas, de geometria Art Déco — alças em barra horizontal encimadas por escudo circular com fechadura ornamentada — e funcionam também como elemento compositivo, pontuando o encontro entre os dois painéis da porta principal. O rodapé é executado em madeira escura, criando um encerramento horizontal que ancora o volume ao piso.
O interesse da peça está na tensão entre contenção e expressividade. A estrutura ortogonal, de leitura sóbria, é interrompida pelo módulo curvo lateral, que introduz uma inflexão volumétrica sem perturbar o equilíbrio do conjunto. Essa solução — o cilindro inscrito no prisma — é recorrente no repertório de Graz e revela sua habilidade em articular elementos geométricos distintos dentro de uma lógica compositiva unificada. O contraste entre a figura orgânica da rádica e a linearidade do palissandro verticalmente estriado reforça essa dualidade, operando na escala do material o mesmo princípio que o volume resolve na escala da forma.




























