Comôda com três gavetas
Artista: Móveis Cimo
Data: c. 1950
Edição: Brasil
Tipo: Cômoda
Dimensão: 86 x 89 x 45 cm Altura das gavetas: 12 cm
Técnica: Madeira maciça, gavetas de puxador integrado e pernas em compasso. Peça selada.
Status: Disponível
Cód ID #472
Preço: R$ 16.000,00
A Móveis Cimo começou como serraria e fábrica de caixas em Rio Negrinho, Santa Catarina, montada em 1913 por Jorge Zipperer e Willy Jung. Em 1920, esgotadas as reservas de madeira das redondezas e em má fase o comércio de madeira bruta, Jorge encontrou em São Paulo o irmão Martin, que administrava uma fábrica de móveis e havia cursado marcenaria no Liceu de Artes e Ofícios. Dali saiu a decisão de montar em Rio Negrinho uma fábrica de cadeiras, instalada em 1921, aproveitando as sobras de imbuia da própria serraria. Entre os anos 1940 e 1960 a empresa atinge o auge e se torna a moveleira mais prolífica do país, mobiliando residências, escolas, teatros, cinemas e repartições públicas em todo o Brasil, com domínio próprio da curvatura a vapor e da fabricação de compensados. Esta cômoda, de por volta de 1950, é desse período de maior alcance.
A peça mede 86 cm de altura por 89 de largura e 45 de profundidade, e se organiza em três sistemas distintos. Duas laterais em madeira escurecida, planas e de cantos arredondados, descem bem abaixo do corpo das gavetas. Entre elas se aloja a caixa, com três gavetas de 12 cm de altura cada, em madeira de tom claro e alaranjado; as travessas superior e inferior que as emolduram recebem o mesmo escurecimento das laterais. As frentes de gaveta são planos limpos, sem ferragem: o puxador é obtido no próprio topo da frente, rebaixado em onda que percorre toda a largura e mergulha ao centro. O apoio é feito por pernas roliças em madeira clara, afiladas até a ponta, dispostas em compasso, duas convergindo para o alto em cada extremidade, onde encontram a lateral. O acabamento apresenta desgaste, com variação de tom nas frentes.
Toda a lógica construtiva está exposta na superfície, e é a cor que a explica. O escuro cobre exatamente o que é fixo e estrutural: as laterais e a moldura da caixa. O claro cobre exatamente o que se move ou toca o chão: as gavetas e as pernas. Basta olhar para saber o que faz o quê. A sequência de apoio segue a mesma clareza, a caixa não repousa sobre as pernas, mas fica suspensa entre as duas laterais, e são elas, prolongadas para baixo, que recebem os compassos. O móvel não é uma caixa com pés; é uma caixa pendurada entre dois planos que se apoiam no piso. E o puxador confirma a origem industrial: em vez de ferragem aplicada, que exigiria compra, ajuste e manutenção, o pegador é subtraído da própria frente. Nada foi acrescentado onde se podia retirar.
























