Escrivaninha com Rodinhas
Artista: Geraldo De Barros
Data: c. 1980
Edição: Hobjeto
Tipo: Escrivaninha
Dimensão: 68 x 89 x 52 cm
Técnica: Estrutura de madeira, rodízios de época.
Status: Disponível
Cód ID #382
Preço: R$ 9.000,00
Geraldo de Barros (Chavantes, 1923, São Paulo, 1998) foi uma das figuras centrais da arte concreta no Brasil, cofundador do Grupo Ruptura e autor das Fotoformas, e chegou ao desenho de mobiliário como desdobramento direto desse programa. Em 1954 fundou, com o frei João Batista Pereira dos Santos, a cooperativa Unilabor; em 1964 abriu a Hobjeto, empresa em que permaneceu como sócio até 1989 e para a qual desenhou não apenas os móveis, mas a marca e a comunicação. A passagem de uma à outra corresponde a uma inflexão formal reconhecível: se os cantos retos aproximavam as peças da Unilabor da abstração geométrica, a produção da Hobjeto adota o arredondamento das quinas de modo sistemático. Esta escrivaninha, de cerca de 1980, pertence à fase madura dessa segunda etapa.
A estrutura se reduz a dois apoios laterais idênticos, cada um formado por um montante vertical e dois braços em cunha, um superior, que recebe o tampo, e um inferior, que corre até o piso. As cunhas são cortadas em diagonal e mantêm seção cheia junto ao montante, afinando em direção às pontas; todas as arestas do móvel são arredondadas, sem quina viva. Nas extremidades dos braços inferiores estão fixados quatro rodízios de época, em cor escura. Sob o tampo, um painel retangular fecha o fundo entre os dois apoios, aparafusado às faces internas dos montantes, com as cabeças metálicas dos parafusos visíveis. À direita, um bloco de duas gavetas se suspende do tampo sem tocar o piso, com puxadores circulares embutidos nas frentes; o restante do vão permanece aberto. A peça mede 68 x 89 x 52 cm.
O interesse do projeto está em resolver por peças modeladas o que a lógica industrial resolveria por chapas planas. Os braços em cunha não são recortes decorativos: concentram material junto ao montante, onde o esforço é maior, e afinam onde ele diminui, a forma acompanha a solicitação e permanece legível como tal. O mesmo raciocínio organiza a distribuição do peso: o bloco de gavetas pendura-se no tampo, o painel trava os dois apoios entre si, e nada mais toca o chão além dos quatro rodízios, o que mantém a escrivaninha leve e deslocável apesar da seção robusta das peças. O arredondamento das arestas afasta o móvel da geometria seca da Unilabor sem abrir mão da clareza construtiva: os parafusos ficam à vista, as juntas são declaradas, e a suavidade dos perfis convive com uma montagem que não se disfarça.


























