Luminária de Mesa
Artista: Autor Desconhecido
Data: c. 1930
Tipo: Luminária
Dimensão: 37 x 28 x 28 cm Altura da base cerâmica: 15,5cm
Técnica: Base esférica em cerâmica esmaltada de alto brilho, Cúpula cônica em trama aberta de fibra natural. Eletrificação brasileira.
Status: Disponível
Cód ID #498
Price: upon request
Luminária de mesa de autoria não identificada, produzida por volta de 1930, quando a produção cerâmica europeia e sua reverberação local reduziram a base de luminária a um sólido elementar — esfera, cilindro, cone — coberto por campos chapados de esmalte. O ornamento aplicado, ainda corrente na virada do século, cede lugar à divisão da própria superfície: a cor passa a operar como desenho. Casas como Saint-Clément, Digoin Sarreguemines e Boch Frères Keramis difundiram esse vocabulário em produção seriada, e ele se espalhou por oficinas menores que raramente assinavam suas peças. A eletrificação brasileira indica circulação e uso no país, em um período em que o repertório art déco estava amplamente presente em São Paulo, da arquitetura aos objetos domésticos.
A peça mede 37 cm de altura por 28 cm de diâmetro. A base é uma esfera em cerâmica esmaltada de alto brilho, com 15,5 cm de altura, dividida por uma linha diagonal única em dois campos de cor: ocre na porção superior, preto na inferior. A divisão é feita sem contorno, moldura ou gradação — os dois esmaltes se encontram diretamente, e a diagonal corta o volume sem relação com seu eixo vertical. Do topo emerge um bocal curto, que sustenta a cúpula cônica em trama aberta de fibra natural, com 28 cm de diâmetro na borda inferior e urdidura visível a olho nu. A proporção é deliberadamente desequilibrada: a cúpula tem quase o dobro da largura da esfera e ocupa mais da metade da altura total.
O desenho se organiza pelo contraste entre dois tratamentos da luz. A superfície vitrificada da base é fechada e reflete em pontos concentrados; a trama da cúpula é permeável e transmite. Acesa, a peça inverte a hierarquia esperada: o cone deixa de funcionar como anteparo e se torna o corpo luminoso, enquanto a esfera permanece densa e opaca sob ele. A diagonal é a decisão central. A esfera é uma forma sem orientação, idêntica de qualquer ângulo; o corte oblíquo lhe dá frente e direção, aloja o preto na base como peso e apoio visual, e deixa o ocre em continuidade com a fibra iluminada acima. Toda a articulação da peça vem dessa divisão de superfície, sem nenhum elemento acrescentado.
















