Luminária de Piso Ampulheta
Artista: Pierre Guariche
Data: c. 1950
Tipo: Luminária
Dimensão: 178 x 53 x 53 cm
Técnica: Estrutura flexível. Duas lâmpadas. Cúpula em palha de seda com camurça.
Status: Disponível
Cód ID #444
Preço: R$ 22.000,00
Pierre Guariche (1926–1995) formou-se pela École Nationale Supérieure des Arts Décoratifs em 1949, aluno de René Gabriel, e entrou logo depois no escritório de Marcel Gascoin. Foi Gascoin quem o apresentou a Pierre Disderot, que abrira em 1948 uma oficina dedicada exclusivamente a luminárias, inicialmente próxima das criações clássicas de sua época, como as de Perzel, e rapidamente voltada a soluções mais experimentais. Da parceria nasceu, no início dos anos 1950, a primeira linha de iluminação declaradamente racional da casa: peças pensadas para o apartamento da reconstrução francesa, onde uma única luminária precisava cumprir várias funções. As criações de Guariche passam a ser editadas por Disderot a partir de 1950, e esta peça pertence a esse momento inicial.
Sobre uma base circular abaulada em latão ergue-se uma haste telescópica do mesmo material, marcada por colares nos pontos de encaixe, que permite regular a altura. No topo, um pescoço flexível de conduíte anelado, de pátina mais escura, curva-se para a frente e sustenta a cúpula. Esta se compõe de dois cones unidos pelas bocas estreitas, formando a ampulheta: o superior aberto para cima, o inferior para baixo, ambos em palha de seda translúcida com bordas rematadas em camurça. Na cintura, um aro de latão prende os dois cones, recebe o pescoço de um lado e concentra os comandos do outro, um botão circular de miolo em marfim e uma alavanca terminada em pequena esfera, controles independentes para cada uma das duas lâmpadas.
A ampulheta é um dispositivo para dividir a luz em dois sentidos opostos a partir de um mesmo ponto, com a cintura opaca mascarando a fonte na altura dos olhos. As duas lâmpadas com acionamento separado convertem essa geometria em escolha: luz para cima, lavando o teto; luz para baixo, sobre a página; ou as duas juntas. A luminária não tem um modo de funcionamento, tem três. A articulação completa o raciocínio, o telescópio muda a altura, o pescoço flexível muda a posição e o ângulo, de modo que o objeto se define menos por uma forma do que por um conjunto de ajustes. Vale notar o contraste com o programa de Perzel, de quem Disderot partira: ali a busca era por uma luz única e perfeitamente difusa, com a fonte suprimida; aqui a fonte também é escondida, mas a distribuição é partida em duas e entregue ao interruptor. Duas casas francesas do mesmo período, decisões opostas sobre quem decide onde a luz vai.




























