Mesa de Centro com Tampo em Mármore
Artista: Autor Desconhecido
Data: c. 1960
Tipo: Mesa Lateral
Dimensão: 31 x 101 x 50 cm
Técnica: Tampo em mármore rajado com tonalidades rosadas e terrosas. Detalhe em madeira e pé em metal escovado.
Status: Disponível
Cód ID #461
Preço: R$ 12.800,00
A mesa de centro baixa é forma do século XX e depende de outra: só faz sentido diante de assentos igualmente baixos, e por isso aparece no repertório doméstico junto com o sofá moderno. Esta peça leva a proporção ao limite, um retângulo achatado de dois para um que se resolve mais como plano suspenso do que como móvel. Sua construção também informa algo concreto sobre a origem, ainda que a ficha não a registre: reúne pedra cortada, marcenaria em madeira densa e serralheria em metal escovado, três ofícios distintos numa peça de escala pequena. Não é objeto de oficina única, e sim de uma cadeia em que essas três produções já circulavam próximas o bastante para serem montadas juntas, condição corrente na indústria moveleira do início dos anos 1960.
O tampo é uma chapa retangular de mármore rajado, de fundo rosado e terroso, percorrido por veios acinzentados em diagonal. Não é peça única: uma faixa de madeira de tom escuro e avermelhado o atravessa no sentido da largura, posicionada fora do centro, separando duas porções desiguais de pedra. Essa mesma faixa vira a aresta e desce em lâmina vertical, formando o único apoio do conjunto. Junto ao piso, barras chatas em metal escovado se estendem no sentido do comprimento, ancorando a base. O tampo avança em balanço para os dois lados, com projeções de comprimentos diferentes. As arestas do mármore são retas, sem chanfro aparente.
A decisão que organiza a peça é fazer o apoio aparecer no plano de cima. Numa mesa de coluna, o suporte fica inteiramente embaixo e o tampo se apresenta como superfície ininterrupta; aqui a madeira sobe, cruza o mármore e denuncia exatamente onde a carga desce. A faixa cumpre três funções ao mesmo tempo, e essa acumulação é o que sustenta o desenho: declara a estrutura, resolve a junta entre as duas porções de pedra e dispensa a chapa única de mármore, mais cara e mais frágil no transporte. O restante segue a mesma economia. Cada material ocupa a altura em que trabalha melhor, pedra em cima, onde recebe; madeira no meio, onde comprime; metal embaixo, onde precisa ser fino e espalhar. E a leitura visual inverte a física: o elemento de aparência mais pesada está no alto, o mais delgado no chão, e a mesa parece mais estável do que a área de contato com o piso faria supor.
















