Mesa Lateral
Artista: Autor Desconhecido
Data: c. 1900
Edição: China
Tipo: Mesa Lateral
Dimensão: 48 x 27 x 28 cm
Técnica: Madeira nobre com embutidos de madrepérola e tampo em pedra.
Status: Disponível
Cód ID #505
Price: upon request
A técnica desta peça é específica e ajuda a situá-la. Não se trata de nácar fino aplicado sobre laca, mas de lâminas espessas assentadas em rebaixos escavados diretamente na madeira dura, o mesmo procedimento do embutido de osso e madeira associado a Ningbo, na costa de Zhejiang, em que os motivos são serrados, sulcos são abertos no corpo de madeira, o embutido é fixado com cola de peixe e o conjunto é depois lixado, entalhado e envernizado. O repertório de materiais do ofício inclui madrepérola ao lado de osso bovino, marfim, buxo e pedra colorida, sempre sobre suporte de hongmu ou pau-ferro. A técnica amadureceu no reinado Qianlong e declinou depois da Guerra do Ópio, mas o embutido em concha sobreviveu no final do século XIX em uma produção comercial voltada a mercados fora do país, sobretudo às comunidades chinesas do Estreito, em Penang, Malaca e Singapura. É desse circuito que vem a forma híbrida da peça: o corpo bojudo e o tampo de pedra são de linhagem chinesa, enquanto a perna curva terminada em garra e a travessa em X respondem a um repertório ocidental.
O tampo é circular, com disco central de pedra clara e mosqueada assentado em rebaixo, cercado por um anel de madeira onde corre uma faixa de nácar com flores e folhas em volutas. Abaixo, o friso se resolve em volume bojudo, dividido em gomos por nervuras verticais talhadas, com aberturas em arco entre as pernas. São quatro pernas curvas, abertas para fora, terminadas em pés talhados em garra com dedos definidos. Uma travessa em X une as pernas junto ao piso, marcada por pequenos losangos de nácar nos vãos e no cruzamento. As lâminas não são recortes lisos: cada uma recebeu incisões finas que desenham nervuras de folha e detalhes de pétala. Com 48 cm de altura e cerca de 27 de diâmetro, o porte é reduzido, mais próximo do de uma peanha que de uma mesa de apoio corrente. Há fissuras no tampo e perdas pontuais de embutido.
O desenho se organiza pela tensão entre ornamento e carpintaria. O nácar não respeita nenhuma divisão construtiva: a mesma videira que nasce na faixa do tampo desce pelos gomos do friso, atravessa a junção entre friso e perna e segue até o pé, ignorando cada emenda que encontra. O olho lê uma planta única trepando pelo objeto; a mão encontraria um quadro de partes separadas. A incisão acrescenta uma segunda camada: gravada, a lâmina passa a segurar linha além de luz, funcionando ao mesmo tempo como desenho e como reflexo. A distribuição do embutido também não é uniforme, adensa-se no tampo e no friso, rareia ao descer pelas pernas e se reduz a pequenos losangos na travessa junto ao piso. O ornamento foi calibrado para a altura em que a peça é vista, e se retrai à medida que se afasta dela.


















