Mesa Lateral MP
Artista: Percival Lafer
Data: c. 1970
Edição: Lafer, Brasil
Tipo: Mesa Lateral
Dimensão: 33 x 63 x 60 cm
Técnica: Tampo em mármore e estrutura em Jacarandá
Status: Disponível
Cód ID #478
Preço: R$ 11.000,00
Percival Lafer nasceu em São Paulo em 1936 e formou-se em Arquitetura pelo Mackenzie. Com a morte do pai em 1960, assumiu com os irmãos a Móveis Lafer e começou a desenhar em 1961, lançando naquele ano a poltrona MP-1. A sigla que nomeia esta mesa e toda a produção da casa significa Móveis Patenteados: Lafer registrava seus desenhos, e a prática de patentear foi fator relevante na decisão de levar as peças aos mercados europeu e norte-americano. O método era declaradamente industrial, elementos padronizados reaproveitados entre linhas diferentes, peças desmontáveis e de transporte fácil, pesquisa contínua de materiais e processos. O objetivo, desde o início, era produzir em escala e a preço acessível, contra um mercado em que o móvel de desenho era artesanal, caro e vendido por canais restritos. Esta mesa lateral, de por volta de 1970, pertence ao momento de maior alcance dessa operação.
A peça mede 33 cm de altura, com tampo de 63 por 60 cm. O tampo é uma chapa de pedra clara, mosqueada, com manchas e desgaste na superfície, apoiada sobre a estrutura e projetando-se além dela nos quatro lados. Abaixo, quatro saias planas em jacarandá formam um quadro perimetral fechado, com fixações circulares visíveis na face externa. As pernas são espessas e afiladas, de face externa levemente trabalhada, posicionadas nos cantos com discreta abertura para fora, e sobem até a altura do tampo. Em cada canto, uma pequena lingueta metálica escura repousa sobre a pedra, prendendo-a ao quadro. Não há rebaixo, moldura ou colagem entre pedra e madeira. O acabamento da madeira apresenta desgaste.
A mesa é uma demonstração reduzida do método da casa. A pedra não está encaixada nem colada: está pousada e presa por grampos que ficam à vista no plano superior, exatamente onde a mão e o olho passam. As pernas são elementos independentes aparafusados ao quadro. Desmonta-se em minutos e viaja plana, que era a condição para exportar móvel brasileiro acabado em vez de matéria-prima, o argumento central da operação de Lafer. Daí decorre a decisão formal: o grampo aparente não é grosseria de acabamento, é a consequência assumida de não haver montagem fixa. E há uma coerência a mais no material. O jacarandá era precisamente aquilo que o país vinha embarcando bruto; aqui ele sai transformado, com desenho e fabricação nacionais, e a peça inteira se organiza para que essa transformação chegue inteira ao outro lado.
















