Par De Cadeiras 'Tião'
Artista: Sergio Rodrigues
Data: c. 1950
Edição: Oca
Tipo: Cadeira
Dimensão: 82 x 62 x 55 cm (Altura do Assento: 44 cm)
Técnica: Estrutura em freijó maciço, assento e encosto estofados
Status: Disponível
Cód ID #185
Preço: R$ 24.000,00
Par de cadeiras 'Tião', desenhadas por Sergio Rodrigues por volta de 1950 e produzidas pela Oca, a loja-ateliê que o próprio designer fundou no Rio de Janeiro e que se tornaria um dos espaços centrais do design moderno brasileiro. A edição Oca confere às peças rastreabilidade direta ao contexto original de produção, quando Rodrigues desenvolveu um vocabulário pessoal que combinava estruturas em madeiras brasileiras maciças com estofamentos generosos e encaixes sem parafusos, numa proposta que contrariava o industrialismo europeu com soluções artesanais de alta precisão.
Sergio Rodrigues é o designer brasileiro de maior reconhecimento internacional da segunda metade do século XX. Formado em arquitetura pela Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, desenvolveu peças que recusavam a abstração formal do modernismo ortodoxo em favor de um humanismo material: madeiras nativas trabalhadas em sua expressividade própria, volumes que convidam ao uso, proporções dimensionadas para o corpo. A Oca, fundada em 1955, funcionou como plataforma de produção e difusão desse repertório, e muitas das peças mais importantes de Rodrigues saíram com a marca da loja impressa ou etiquetada.
A cadeira 'Tião' tem estrutura em freijó maciço, madeira de tonalidade quente e veio marcado, trabalhada em seção retangular com arestas ligeiramente chanfradas. A grelha estrutural é ortogonal e direta: quatro pernas verticais unidas por travessas horizontais em dois níveis, formando um chassi aberto onde assento e encosto são inseridos como planos independentes. Os braços, integrados à estrutura superior, prolongam-se levemente além da linha frontal da cadeira. Assento e encosto são estofados em tecido bege de textura discreta, fixados à estrutura sem baquetes ou molduras aparentes.
O que distingue a 'Tião' dentro da produção de Rodrigues é justamente a contenção. Sem a gestualidade dos encaixes aparentes do Mole ou a monumentalidade de outras peças, ela opera por subtração: uma grelha de madeira que define um espaço para o corpo sem ornamento nem demonstração. A leitura frontal é quase abstrata, próxima de um desenho geométrico, enquanto a vista lateral revela a ligeira inclinação do encosto e a profundidade do assento.
As peças apresentam desgaste natural da madeira compatível com o período, com patina de uso que valoriza o veio do freijó. O estofamento atual, em tecido bege claro, encontra-se em estado utilizável, mas aceita substituição para quem preferir couro natural ou tecido de linho, materiais historicamente associados a esta peça.














