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Par de Poltronas


Artista: Autor Desconhecido

Data: c. 1950

Tipo: Poltrona

Dimensão: 70 x 63 x 69 cm Altura do assento: 32 cm

Técnica: Estrutura em madeira maciça.

Status: Disponível

Cód ID #433

Preço: R$ 25.000,00


Este par de poltronas de autoria não identificada, datado de aproximadamente 1950, se insere num período de intensa assimilação do vocabulário moderno pela produção brasileira de mobiliário. A década de 1950 foi marcada no Brasil pela confluência entre influências escandinavas, o organicismo norte-americano e uma tradição local de marcenaria de alta qualidade — um cruzamento que gerou peças de autoria difusa, muitas vezes produzidas por ateliês sem registro formal, mas com domínio técnico evidente. As poltronas pertencem a esse contexto, onde a referência internacional é absorvida e reelaborada a partir dos materiais e da mão de obra disponíveis.

A estrutura é executada em madeira maciça, com base em formato de trenó duplo — dois patins curvos e alargados que se projetam para frente e para trás, oferecendo estabilidade sem recorrer a quatro pés convencionais. Esse elemento de apoio, de perfil baixo e seção robusta, contrasta com o volume do corpo estofado, revestido em tecido na coloração terracota. O assento, de altura relativamente baixa (32 cm), combina com um encosto de dimensões generosas e levemente reclinado. Os braços se resolvem como extensões laterais do estofado, com bordas onduladas que se afunilam em direção à base, criando uma silhueta assimétrica quando vista de frente. As dimensões totais — 70 × 63 × 69 cm — resultam numa peça de presença ampla, sem ser monumental.

A lógica que organiza o desenho está na tensão entre a contenção da base e a liberdade formal do corpo superior. A base de madeira é discreta e funcional; o estofado, por sua vez, recusa a geometria ortodoxa e se resolve em curvas que variam de ângulo conforme o ponto de vista. Essa oscilação entre estrutura racional e volume orgânico é característica de um momento em que o design brasileiro buscava uma identidade própria dentro do modernismo — menos pelo manifesto e mais pela solução prática, acumulada peça a peça.


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