Par de Poltronas LC3
Artista: Le Corbusier, Pierre Jeanneret & Charlotte Perriand
Data: c. 1928
Edição: Knoll International. Forma S.A., Brasil, c. 1970
Tipo: Poltrona
Dimensão: 49 x 97 x 68 cm Altura do assento: 34 cm
Técnica: Estrutura tubular em aço cromado, espuma de poliuretano e couro.
Status: Disponível
Cód ID #521
Price: upon request
Desenhada em 1928 por Le Corbusier, Pierre Jeanneret e Charlotte Perriand, a LC3 nasce do programa de mobiliário que o ateliê da rue de Sèvres desenvolveu a partir da entrada de Perriand, e que seria apresentado no Salon d'Automne de 1929 como "Equipement intérieur d'une habitation". A proposta ali era substituir o móvel tradicional por equipamento, objetos definidos por função e produzidos com materiais da indústria, não da marcenaria. O tubo de aço cromado, então associado a bicicletas e estruturas automotivas, é o meio dessa substituição. Esta edição foi produzida no Brasil pela Forma S.A. por volta de 1970. A Forma detinha desde 1959 a licença exclusiva de fabricação dos móveis da Knoll International no país, e ao lado dessa produção mantinha catálogo próprio, no qual as peças do grupo de Le Corbusier também circularam.
A construção inverte a lógica corrente do estofado. A estrutura é um quadro de tubo de aço cromado que permanece do lado de fora do volume: as pernas sobem em prumo desde o piso, contornam o corpo do móvel e sustentam as travessas horizontais que atravessam a frente, as laterais e o encosto. Dentro desse quadro, cinco almofadas independentes em espuma de poliuretano revestida em couro claro se acomodam como blocos soltos, assento, encosto e três volumes que formam braços e costas. Nada é fixo: as almofadas repousam sobre uma base de sustentação e são contidas pelo próprio quadro. Com 49 cm de altura total e assento a apenas 34 cm do chão, o par tem proporção baixa e larga, com 97 cm de frente.
O desenho se define pela separação entre estrutura e conforto. No móvel estofado convencional a armação é interna e desaparece sob o revestimento; aqui ela é externa e visível, e o estofamento não a esconde porque não a toca em nenhum ponto estrutural. O resultado é uma peça em que se enxerga exatamente o que segura e o que acolhe, o tubo cromado risca o volume branco em linhas retas horizontais e verticais, e cada almofada se lê como bloco autônomo. A altura de assento reforça a posição: 34 cm colocam o corpo em recostado, não em sentado ereto, e a largura generosa completa o programa de repouso. É um móvel que expõe seu esqueleto sem retórica, e é dessa exposição que vem sua leitura.
























