Pequena Poltrona de Balanço
Artista: Carlo Hauner & Martin Eisler
Data: c. 1955
Edição: Forma, Brasil
Tipo: Poltrona
Dimensão: 95 x 72 x 95 cm
Técnica: Estrutura em vergalhão soldado. Concha e braços em fibra vegetal (Junco) trançada.
Status: Disponível
Cód ID #475
Preço: R$ 6.000,00
Carlo Hauner (Brescia, 1927 – Salina, 1996) estudou desenho técnico e artístico na Academia de Brera, em Milão, mudou-se para São Paulo em 1948 e fundou em 1950 a Móveis Artesanal, voltada à produção de mobiliário moderno para uma clientela de arquitetos. Foi o principal desenhista da casa até 1953, quando o arquiteto austríaco Martin Eisler (1913–1977), radicado na Argentina, chegou ao Brasil e se tornou sócio. A parceria durou pouco e rendeu muito: em 1954 a Artesanal se converte em Forma, e Hauner deixa a sociedade logo depois, retornando à Itália. Esta poltrona pertence a essa janela estreita de meados da década, e traz sua marca característica, o encontro entre um insumo industrial corrente, o vergalhão de aço, e um ofício local, o trançado em junco.
A estrutura é executada em vergalhão soldado e pintado de preto, com dois balancins longos e curvos correndo da frente ao fundo. Sobre eles se ergue um arranjo triangulado de hastes, travado lateralmente por um arco rebaixado entre os balancins e rematado à frente por um arco semicircular que acompanha o contorno do assento; as soldas permanecem aparentes. Sobre essa base assenta uma concha contínua em junco trançado, que sobe do assento ao encosto alto e afunilado, com aresta frontal elevada. O trançado varia de densidade: aberto em treliça no encosto, cerrado no assento, e resolvido em roletes grossos nas bordas. Os braços partem do travessão superior do encosto, avançam em balanço e terminam em apoios retangulares planos, também trançados. Uma haste metálica atravessa o encosto na altura lombar. Mede 95 cm de altura por 72 de largura e 95 de profundidade.
O desenho separa dois sistemas por material e por função, e a separação é integral. O vergalhão resolve tudo o que é carga: sustentação, triangulação e a geometria do balanço. O junco resolve tudo o que é contato, não há um ponto em que o corpo encoste no metal. Onde os dois se encontram, o metal desaparece dentro do trançado, e a haste que cruza o encosto só se percebe através da treliça. A gradação do trançado confirma o raciocínio: aberto onde a superfície precisa apenas conter e ventilar, cerrado onde recebe peso, engrossado em rolete onde sofre desgaste. Os braços repetem a lógica em escala menor e são a decisão mais surpreendente da peça, não sobem do assento nem das laterais, mas pendem do alto do encosto e avançam em balanço, hastes finíssimas cuja única função é levar um apoio plano até onde a mão chega. Estrutura reduzida ao mínimo, superfície colocada exatamente onde o corpo pousa.




















