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Poltrona


Artista: Liceu De Artes e Ofícios

Data: c. 1950

Tipo: Poltrona

Dimensão: 85 x 63 x 74 cm Altura do assento: 43 cm

Técnica: Estrutura em jacarandá maciço esculpido, com encosto ripado e almofadas soltas

Status: Disponível

Cód ID #479

Preço: R$ 16.000,00


O Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo foi fundado em 1873 e teve como modelo as escolas de Arts and Crafts inglesas de William Morris, com cursos de marcenaria, serralheria, gesso e desenho. Suas oficinas produziram o mobiliário do Theatro Municipal em 1911, as oito portas da Catedral da Sé em jacarandá-da-Bahia, as esquadrias metálicas do MASP nos anos 1940 e 50, e peças para os hotéis Quitandinha, Poços de Caldas e Araxá. O quadro era majoritariamente formado por imigrantes europeus, sobretudo italianos, que chegavam com repertório de manufatura já constituído e atuavam ali como aprendizes e como mestres. A partir dos anos 1950, com a virada do país para um novo modelo de desenvolvimento industrial, as oficinas se separam da seção educacional e o ideal fundador de indissociabilidade entre arte e indústria se desfaz. É desse momento de transição que vem esta poltrona, o mobiliário modernista dos anos 1950 é uma categoria documentada da produção do Liceu, exposta institucionalmente na retrospectiva de 150 anos em 2023, ao lado dos conjuntos historicistas que a casa reproduzia em série.

A estrutura é executada em jacarandá maciço, com figura marcada, mais legível no travessão superior do encosto. O encosto se arma como quadro fechado com cerca de seis ripas verticais, através das quais aparece a almofada clara alojada na face interna. As pernas traseiras são o elemento dominante: partem do assento e descrevem uma curva longa e sinuosa para fora e para trás, prolongando o apoio muito além do encosto e terminando em pé arredondado. No ponto em que a perna encontra o quadro do encosto, a madeira se alarga e recebe um vazado em amêndoa. Os braços são peças esculpidas e afiladas, que descem do quadro traseiro para a frente. As pernas dianteiras são retas e de seção quadrada, com afinamento na descida. O assento recebe almofada solta em tecido esverdeado. Mede 85 cm de altura por 63 de largura e 74 de profundidade, com assento a 43 cm.

Todo o peso do desenho foi jogado para trás, e essa é a decisão que organiza a peça. As pernas traseiras não descem na vertical: abrem-se para fora e para trás bem além do encosto, ampliando a base justamente na direção em que o corpo reclinado empurra. A solução estrutural vira, assim, o principal acontecimento visual da poltrona, vista de trás, que é como ela raramente é fotografada, o objeto é mais expressivo do que de frente. O detalhe que confirma o raciocínio está na junção: a madeira engrossa exatamente onde a carga se transfere da perna para o quadro, e em seguida é vazada para retirar a massa que ali não trabalha. É cálculo executado como escultura. E é também o que denuncia a origem,uma perna assim não sai de linha industrial racionalizada; sai de uma oficina em que alguém sabia desbastar madeira maciça à mão. As mesmas mãos formadas no repertório historicista que a casa reproduzia estão aqui aplicadas a uma forma moderna.


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