Poltrona de Balanço
Artista: Autor Desconhecido
Data: c. 1970
Tipo: Poltrona
Dimensão: 96 x 61 x 80 cm
Técnica: Estrutura em madeira maciça nobre. Tapeçaria pintada a mão pela artista Márcia Cirne Lima
Status: Disponível
Cód ID #519
Preço: R$ 10.500,00
Produzida por volta de 1970 e sem autoria identificada, esta poltrona pertence a uma tipologia precisa: a cadeira de balanço de plataforma, em que o assento oscila sobre uma mola metálica fixada a uma base estática, e não sobre balancins apoiados no chão. A solução se difundiu a partir da segunda metade do século XIX e permaneceu em produção corrente na marcenaria brasileira por décadas, muito além do período em que representava novidade técnica. O vocabulário formal confirma essa persistência: os braços sinuosos e os patins de extremidades arredondadas remetem a um repertório de marcenaria anterior ao modernismo, e não à linguagem que dominava o móvel brasileiro no início dos anos 1970. À estrutura se soma uma segunda camada de autoria, a tapeçaria pintada à mão por Márcia Cirne Lima.
A base é formada por dois patins longos em madeira maciça, de pontas arredondadas, apoiados integralmente no piso e unidos por travessas transversais. Sobre eles se ergue um arco de madeira que sustenta o corpo do assento; entre o arco e a base aloja-se uma mola helicoidal, presa por duas peças metálicas aparafusadas à madeira, com o mecanismo inteiramente exposto. Os braços descem do encosto até a frente do assento em curva contínua de perfil serpentiforme, com emenda diagonal visível no trecho de maior curvatura e extremidade chanfrada, onde permanecem dois furos de fixação. O corpo estofado é único, de encosto alto e borda frontal roliça, revestido em tela pintada à mão: listras onduladas azuis correm verticalmente pelo dorso, enquanto formas amplas e biomórficas ocupam o assento e a face interna do encosto.
A curva organiza a peça inteira, repetida em escalas sucessivas, os patins, o arco sob o assento, o perfil dos braços e, por fim, a espiral da mola. O que distingue o desenho é o ponto em que essa geometria deixa de ser forma e passa a ser função: a mola é a única curva que se deforma, e é ela que converte o peso do corpo em movimento sem que a poltrona saia do lugar. Nada disso é encoberto. O mecanismo permanece à vista entre a base e o arco, e a peça se explica ao ser observada de perfil. A pintura opera na mesma lógica em outro registro: as faixas azuis não introduzem um vocabulário estranho à estrutura, mas retomam a linha sinuosa já presente na madeira e a estendem sobre o têxtil, a intervenção lê a peça antes de intervir nela.
Márcia Cirne Lima é formada em arte pela FAAP em 1980, com atuação em artes gráficas, ilustração e, mais recentemente, joalheria contemporânea (Galeria Alice Floriano; individual na Thomas Cohn em 2015).






























