Poltrona Italiana Pós-Moderna
Artista: Autor Desconhecido
Data: c. 1980
Edição: Itália
Tipo: Poltrona
Dimensão: 77 x 71 x 73 cm Altura do assento: 42 cm
Técnica: Estrutura de tubo de aço curvado preto. Assento, braços e encosto são faixas de couro tensionadas, presas por ilhoses metálicos e molas helicoidais.
Status: Disponível
Cód ID #473
Preço: R$ 8.000,00
O repertório da poltrona tem origem datada. Marcel Breuer, que dirigia a oficina de marcenaria da Bauhaus a partir de 1925, comprou naquele ano sua primeira bicicleta e se impressionou de tal modo com a leveza e a resistência do tubo de aço que decidiu fazer móveis com ele. A primeira peça experimental foi uma poltrona de clube, sobre a qual disse ser seu trabalho mais extremo em aparência e em uso de materiais, o menos artístico, o mais lógico, o menos aconchegante e o mais mecânico. Ficou conhecida como Wassily, por admiração de Kandinsky. A proposição foi retomada por sucessivas gerações, sobretudo na Itália: Marco Zanuso suspendeu couro em quadro metálico mínimo na Maggiolina, de 1947, e nos anos 1970 Guido Faleschini e Giotto Stoppino levaram o couro à condição de elemento estrutural, e não mais de revestimento. Depois de duas décadas de policarbonato e poliuretano, os anos 1980 marcam o retorno aos materiais tradicionais. Esta peça pertence a esse momento e leva aquele raciocínio ao limite.
A estrutura é de tubo de aço curvado, pintado em preto fosco. De cada lado, um grande anel fechado desce ao piso como patim, sobe à frente e segue para trás, com um segundo anel menor alojado abaixo. Assento, braços e encosto não são peças construídas: os três são faixas de couro tensionadas entre os tubos, presas por ilhoses metálicos e mantidas sob carga por molas helicoidais, de modo que a fixação e o dispositivo de tensão permanecem à vista. O assento se estende entre as laterais como plano baixo; o encosto se arma sobre quadro tubular reclinado, cujo travessão superior ultrapassa a altura do couro e se projeta para trás. Não há enchimento, almofada ou estofamento em nenhum ponto. A pintura apresenta perdas nas arestas do tubo e na aresta frontal do assento. Mede 77 cm de altura por 71 de largura e 73 de profundidade, com assento a 42 cm.
A poltrona é uma estrutura de tensão, e as molas são a prova. Ao tubo cabe integralmente a compressão: define o contorno, apoia no piso, resiste ao esforço. Ao couro cabe integralmente a tração, as faixas não revestem nada, sustentam o corpo por conta própria, e a mola existe justamente porque uma superfície que trabalha precisa ceder e voltar. Ninguém instala mola helicoidal sob couro decorativo. Daí decorre a consequência mais radical: com os braços também resolvidos em faixa, não existe um único ponto em que o corpo encoste no metal. E nada disso foi encoberto — ilhoses e molas ficam expostos, do mesmo modo que o mecanismo de balanço fica exposto na poltrona de Hauner e Eisler, mesma disciplina a cinco décadas e um continente de distância. O preto fosco fecha a leitura: onde o cromado do repertório original refletia o ambiente e desmaterializava a estrutura, aqui cada tubo vira traço opaco, e a peça se lê como o desenho de si mesma.


















