Poltrona Tesoura
Artista: Autor Desconhecido
Data: c. 1960
Edição: Brasil
Tipo: Poltrona
Dimensão: 80 x 52 x 65 cm
Técnica: Madeira maciça cavilhada
Status: Disponível
Cód ID #493
Preço: R$ 25.000,00
O mobiliário brasileiro das décadas de 1950 e 1960 se constituiu em torno de uma convicção: a de que a madeira não precisava ser disfarçada. Enquanto a produção industrial europeia trabalhava para apagar juntas e uniformizar superfícies, aqui uma geração de projetistas e oficinas seguiu na direção oposta, deixando encaixes à vista e tratando o veio como parte do desenho. Zanine Caldas e Lina Bo Bardi foram vozes centrais dessa posição, cada um à sua maneira, ele nos móveis erguidos com madeira de descarte, ela na defesa do saber construtivo popular contra a padronização.
Esta poltrona pertence a esse vocabulário, ainda que não se conheça seu autor. A produção do período circulava por dezenas de oficinas que raramente assinavam o que faziam.
O partido se lê melhor de perfil. As laterais se cruzam em X e prosseguem além do encontro, abrindo pernas para frente e para trás; o conjunto se organiza em diagonais, sem uma única prumada vertical. A estrutura, portanto, não sustenta apenas, ela desenha.
Dos mesmos cruzamentos partem os braços, que avançam à frente e terminam arredondados, com a superfície gasta pelo uso. As cavilhas que os fixam permanecem visíveis, marcando cada junção. O encosto reúne ripas roliças torneadas individualmente, dispostas na horizontal, entre as quais aparece a almofada; o tecido, tramado à mão, traz marcas irregulares em preto sobre fundo cru, e suas listras respondem às da madeira em outra escala.
O envelhecimento se deu de modo desigual. Braços e moldura conservam tom de mel avermelhado; as ripas clarearam. Nas laterais, o veio se revela em manchas escuras de contorno quase gráfico.




















