Chaise MR 242
Artista: Mies Van Der Rohe
Data: c. 1920
Edição: Knoll International. Forma S.A., Brasil, c. 1970/80
Tipo: Chaise
Dimensão: 87 x 69 x 180 cm
Técnica: Estrutura em tubo de aço cromado curvado em balanço, assento e encosto em almofadas de couro gomado presas por percintas.
Status: Disponível
Cód ID #522
Price: upon request
Desenhada por Ludwig Mies van der Rohe por volta de 1930 e produzida no Brasil pela Forma S.A. entre os anos 1970 e 80, a chaise MR leva ao limite o princípio que a família inteira explora: sustentar um corpo reclinado sem perna traseira, apenas pela elasticidade do tubo de aço. A cadeira em balanço nasce do trabalho de Mart Stam com tubo de gás em meados dos anos 1920, e Mies a reescreve trocando o ângulo reto pela curva ampla à frente do assento, que devolve à estrutura a flexão que o desenho de Stam suprimia. Na chaise, essa curva deixa de ser detalhe e vira o assunto: o plano de repouso se estende por 1,80 m e a estrutura precisa acompanhá-lo em toda a extensão. A Forma detinha desde 1959 a licença exclusiva para fabricar no Brasil os móveis da Knoll International, canal pelo qual Mies, Breuer, Saarinen, Florence Knoll e Bertoia chegaram ao mercado brasileiro.
A estrutura é de tubo de aço cromado curvado em uma linha contínua. À frente, uma volta fechada em formato de C apoia sobre um patim retangular no piso, único ponto de contato da parte dianteira. Dessa curva o tubo segue para trás desenhando o perfil de repouso, encosto inclinado, quebra na altura do quadril, plano das pernas em leve declive, e termina em um segundo patim mais baixo, sob os pés. Entre os tubos laterais correm travessas transversais espaçadas, e é sobre elas que se assenta a almofada única em couro claro, dividida em gomos horizontais e presa ao quadro por tiras de couro passadas em volta do tubo, visíveis em toda a lateral. Não há carcaça, chassi ou estofamento fixo. As dimensões são 87 x 69 x 180 cm, e há amarelecimento do couro e desgaste pontual no cromado, compatíveis com o uso.
O desenho se decide no vão entre os dois apoios. A volta em C sustenta a frente, o patim traseiro sustenta os pés, e entre um e outro há mais de um metro de tubo sem nenhum apoio intermediário, todo o peso do corpo reclinado é conduzido pela flexão do próprio material. É o que explica por que a estrutura é lida como linha e não como armação: ela não contorna um volume, ela desenha o perfil de quem se deita. As tiras de couro reforçam essa economia ao resolver a fixação sem ferragem, deixando visível o modo como a almofada se prende. E a curva dianteira, ao dobrar sobre si mesma antes de tocar o chão, transforma em gesto formal o que é exigência estrutural: quanto mais longa a peça, maior o raio necessário para que o tubo ceda sem colapsar.


















