Conjunto De 10 Cadeiras
Artista: Móveis Planalto
Data: c. 1960
Edição: Brasil
Tipo: Cadeira
Dimensão: 77 x 49 x 51 cm (Altura do Assento: 46 cm)
Técnica: Madeira maciça com assento e encosto em compensado curvado folheado em jacaranadá. Reestofadas em bouclé.
Status: Disponível
Cód ID #175
Preço: R$ 70.000,00
Produzido por volta de 1960, este conjunto de dez cadeiras pertence ao momento em que a indústria moveleira brasileira já operava o repertório moderno como produção corrente, e não como experimento. A Móveis Planalto integra o grupo de fabricantes ativos no período cuja produção circulou em escala sem gerar registro documental equivalente, situação recorrente no mobiliário brasileiro, em que a fábrica sobrevive nas peças e não nos arquivos. A construção explicita essa origem industrial: o compensado curvado folheado em jacarandá, técnica já dominada pela indústria nacional havia décadas, oferecia a superfície da madeira nobre com a estabilidade e a repetibilidade do laminado. Uma encomenda de dez unidades pressupõe exatamente essa capacidade de série.
A estrutura é executada em madeira maciça escura, com pernas de seção quadrada e arestas levemente suavizadas, travadas por barrotes laterais e um travessão transversal posicionado próximo ao piso. As pernas traseiras seguem em altura e formam os montantes que recebem o encosto. Entre eles se aloja uma peça única de compensado curvado folheado em jacarandá, que desce do encosto ao assento em movimento contínuo, sem emenda visível; a fixação é feita por parafusos aparentes em latão nas laterais do quadro, e uma folga estreita separa a borda da concha dos montantes. Sobre essa superfície apoiam-se dois estofados independentes, reestofados em bouclé, um no assento, outro no topo do encosto, acompanhando a curvatura da madeira. As proporções são contidas: 77 cm de altura total e 46 cm de altura de assento, medidas de uso à mesa.
O desenho se organiza pela separação de três sistemas. O quadro é inteiramente retilíneo e resolve apoio e travamento; a concha é inteiramente curva e resolve a acomodação do corpo; o estofado, aplicado por último, resolve o contato. Nenhum dos três assume a função do outro, e é essa divisão que sustenta a peça. A folga entre a concha e os montantes torna a lógica explícita: em vez de fundir maciço e laminado em um corpo único, o projeto os mantém distintos e mostra onde se encontram, caminho oposto ao de boa parte da produção contemporânea, empenhada em dissolver estrutura e assento numa mesma forma moldada. A repetição em dez unidades confirma o raciocínio: a clareza das partes é também uma condição de fabricação.
























