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Estante de Dois Módulos Estante de Dois Módulos Estante de Dois Módulos Estante de Dois Módulos Estante de Dois Módulos Estante de Dois Módulos Estante de Dois Módulos Estante de Dois Módulos Estante de Dois Módulos Estante de Dois Módulos Estante de Dois Módulos Estante de Dois Módulos Estante de Dois Módulos

Estante de Dois Módulos


Artista: Maurício Azeredo

Data: c. 1990

Edição: Brasil

Tipo: Estante

Dimensão: 180 x 180 x 50 cm

Técnica: Mogno maciço, estrutura com encaixes passantes aparentes e prateleiras reguláveis.

Status: Disponível

Cód ID #517

Preço: R$ 19.000,00


aurício Azeredo (Macaé, 1948) formou-se em Arquitetura e Urbanismo pelo Mackenzie em 1973, lecionou no Instituto de Arquitetura e Urbanismo da UnB entre 1977 e 1986 e manteve ateliê-marcenaria próprio de 1984 a 2009. Esta estante, de por volta de 1990, situa-se no meio desse período e na década em que Azeredo se tornou um dos sócios-fundadores do Grupo de Compradores de Produtos Florestais Certificados, colocando-o entre os pioneiros do uso responsável de madeira no país.

Sua obra se apoia em dois fundamentos: o emprego amplo de espécies nativas, são registradas ao menos 39, e um sistema próprio de encaixes, desenvolvido no ateliê e patenteado. Em 1999 Adélia Borges lhe dedicou uma monografia publicada pelo Instituto Lina Bo e P.M. Bardi. Aqui a peça é resolvida em espécie única, o mogno, o que transfere integralmente a expressão para a construção.

São dois módulos justapostos, cada um armado sobre quatro montantes de seção quadrada em madeira maciça, apoiados diretamente no piso; juntos compõem uma elevação quadrada de 180 x 180 cm, com 50 cm de profundidade. As uniões entre montantes e travessas são feitas por encaixes passantes, cuja seção de topo aparece na face externa dos montantes como pequenos retângulos de tom mais escuro, nos cantos superiores e junto ao chão. A travessa inferior é arqueada, com face côncava que ergue a prateleira mais baixa alguns centímetros acima do piso. As prateleiras são reguláveis: uma sequência vertical de furos percorre a face interna dos montantes, e as tábuas, cada uma composta por réguas unidas lado a lado, repousam sobre sarrafos finos. Ao longo da travessa superior, rebaixos ovais alojam ferragens de fenda em intervalos regulares. Não há painel de fundo: a estante é vazada nas duas faces.

O desenho separa o que é fixo do que é variável, e essa separação é a decisão central. O quadro é permanente e concentra toda a expressão, montantes, travessas, encaixes passantes, o arco da base.

As prateleiras são móveis e não expressam nada: planos intercambiáveis apoiados em furos. Nada foi acrescentado como ornamento, de modo que o único incidente visual sobre os montantes é a seção de topo dos encaixes, e a construção passa a ser a única coisa que há para olhar. O arco da travessa inferior é a única curva de um objeto inteiramente ortogonal, colocada exatamente onde a massa encontra o piso: alivia o peso no ponto em que o peso é lido. E a elevação quadrada dividida em dois vãos iguais declara o módulo como unidade, a peça é o fragmento de um sistema que cresceria por repetição.


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