Mesa de centro
Artista: Giuseppe Scapinelli
Data: c. 1950
Tipo: Mesa de Centro
Dimensão: 34 x 90 x 55 cm
Técnica: Estrutura em madeira caviuna maciça, tampo em vidro
Status: Disponível
Cód ID #378
Preço: R$ 13.000,00
Giuseppe Scapinelli chegou ao Brasil em 1946, parte da leva de designers italianos que encontrou em São Paulo um mercado em expansão e uma clientela receptiva a um modernismo temperado pela cultura artesanal europeia. Ao longo dos anos 1950, desenvolveu uma produção marcada pelo uso das madeiras nativas brasileiras — especialmente a caviuna — e por uma linguagem que aproximava o modernismo orgânico de referências formais da tradição italiana. Esta mesa de centro, datada de cerca de 1950, pertence ao núcleo mais inventivo dessa fase, quando Scapinelli explorava com maior liberdade as possibilidades escultóricas da madeira maciça.
A estrutura é inteiramente executada em caviuna maciça, com dois pares de pés curvos e afilados que se inclinam levemente para fora, conectados por uma travessa horizontal de seção robusta que percorre o eixo longitudinal da mesa. Cada par de pés se une por uma peça superior em forma de arco invertido, sobre a qual o tampo de vidro repousa sem fixações aparentes, alojado numa moldura de madeira com bordas superiores levemente rebaixadas. O vidro, de tom levemente esverdeado, mede 90 × 55 cm e a mesa tem 34 cm de altura — proporções que a situam como peça de estar de uso cotidiano. Os detalhes de entalhe nas junções entre pés e travessa revelam trabalho de marcenaria de alta precisão, com acabamento à mão visível nas arestas orgânicas.
O que distingue a peça dentro da obra de Scapinelli é a maneira como a estrutura de madeira funciona simultaneamente como suporte e como elemento expressivo autônomo. O vidro não é o protagonista — é o plano neutro que permite que a base esculpida seja vista em profundidade, transparência atravessada pela veio escuro da caviuna. A tensão entre o desenho quase zoomórfico dos pés e a contenção geométrica da moldura superior revela um designer que operava na fronteira entre artesanato e design moderno, sem resolver completamente essa tensão — e é justamente nessa indecisão calculada que reside o interesse da peça.




















