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Mesa de Centro


Artista: Arthur Casas

Data: c. 1990

Edição: Casas Edições de Design

Tipo: Mesa de Centro

Dimensão: 37 x 120 x 120 cm

Técnica: Tampo de vidro espesso com as bordas polidas. Quatro cilindros metálicos com acabamento cromado.

Status: Disponível

Cód ID #499

Preço: R$ 22.000,00


Formado em Arquitetura e Urbanismo pela Mackenzie em 1983, Arthur Casas abriu escritório próprio dois anos depois e dedicou a década seguinte sobretudo a projetos de interiores. Em paralelo, manteve uma operação de mobiliário em que desenhava, fabricava e vendia peças de sua autoria ao lado de móveis de designers italianos, entre eles as do arquiteto suíço Mario Botta, apontado entre suas referências de formação. Essa dupla condição, de autor e de editor, é o que a Casas Edições de Design representa, e é o contexto imediato desta mesa. Do mesmo período e da mesma editora vem a cadeira Etrusca, de 1989. O vocabulário de cilindros metálicos e geometria elementar que organiza a peça circulava nesse ambiente, e a mesa o assume sem intermediações.

O tampo é uma chapa quadrada de vidro espesso, de 120 x 120 cm, com as quatro bordas polidas; a espessura se lê na aresta, onde a massa do vidro aparece esverdeada. Sustentam-no quatro cilindros metálicos de acabamento acetinado, e o dado decisivo é onde estão: recuados das quinas e agrupados em direção ao centro, formando um quadrado pequeno dentro do quadrado grande. Cada cilindro atravessa o tampo por um furo e termina em uma tampa circular apoiada sobre a face superior do vidro, com uma arruela comprimida entre as duas. Não há travessa, saia ou quadro, os cilindros não se tocam em nenhum ponto. A peça tem 37 cm de altura. As tampas apresentam oxidação na linha de contato com a arruela.

A decisão central inverte os papéis habituais. Numa mesa de vidro convencional o tampo é elemento passivo, apoiado sobre uma estrutura que mantém as partes unidas. Aqui não há estrutura: os quatro cilindros são independentes entre si, e o que os liga é o próprio vidro, furado e parafusado a eles. O tampo deixa de ser carga e passa a ser o único elemento estrutural da peça, enquanto os apoios se limitam a ficar de pé. O recuo completa o raciocínio, puxados para o centro, os cilindros deixam o vidro em balanço nos quatro lados, e de pé o perímetro da mesa não apresenta apoio visível. O efeito só existe porque o vidro tem espessura para trabalhar à flexão. E a união não é escondida: tampa, arruela e furo ficam expostos na face superior, exatamente onde se olha. É a mesma lógica que a Etrusca resolve em outra chave, com base mínima e neutra sob um corpo que se expande.


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