Mesa de Centro em Jacarandá
Artista: Autor Desconhecido
Data: c. 1970
Edição: Brasil
Tipo: Mesa de Centro
Dimensão: 45 x 142 x 77 cm
Técnica: Jacarandá maciço, com laterais em painel inclinado e travessa recuada sob o tampo. Tampo espesso com friso duplo nas bordas.
Status: Disponível
Cód ID #532
Price: upon request
Esta mesa de centro de autoria não identificada, produzida por volta de 1970, pertence a um período em que o mobiliário brasileiro explorava a madeira maciça em grandes volumes. Ao longo dos anos 1960 e 1970, marcenarias e fábricas no país trabalharam com espécies nativas em seções generosas, valorizando o peso e o desenho natural do material. O jacarandá ocupou lugar central nessa produção e, com a exploração intensa, tornou-se progressivamente escasso, o que confere às peças desse período um valor material que vai além do desenho. Embora sem atribuição definida, a mesa reúne referências de diferentes tradições, o que a torna representativa de um momento em que o design brasileiro dialogava com várias linguagens ao mesmo tempo.
A estrutura se compõe de dois painéis laterais em jacarandá maciço e de um tampo retangular espesso. Os painéis têm planta trapezoidal e se inclinam levemente, mais largos junto ao tampo do que na base, o que cria uma linha diagonal visível nas vistas frontal e lateral. Uma travessa recuada, posicionada sob o tampo, une os dois apoios e garante a rigidez do conjunto sem interferir na leitura da peça. O tampo se projeta além das laterais nas quatro direções e tem as bordas trabalhadas com friso duplo, que contorna todo o perímetro e marca a espessura. A madeira apresenta veio contínuo em tons escuros e avermelhados. No tampo, aparecem faixas claras de alburno, que atravessam a superfície no sentido do comprimento.
O desenho se organiza a partir de poucos elementos e de suas relações de proporção. Os apoios em prancha conferem à peça uma presença maciça, próxima da produção brasileira de madeira em grandes seções. A altura reduzida e a ênfase horizontal remetem a mesas de tradição japonesa, enquanto a redução estrutural a dois apoios e um plano se aproxima da síntese escandinava. O friso das bordas introduz um vocabulário de marcenaria clássica que contrasta com a simplicidade da estrutura. Essas referências não aparecem como citações isoladas. Elas convivem porque o material é o mesmo em todas as partes, e o veio contínuo do jacarandá estabelece a unidade entre volumes, planos e detalhes.




















