Par De Cadeiras
Artista: Joseph André Motte
Data: c. 1950
Edição: Steiner, França
Tipo: Cadeira
Dimensão: 74 x 48 x 58 cm (Altura do Assento: 44 cm)
Técnica: Estrutura em ferro curvado, assento e encosto estofados em tecido
Status: Disponível
Cód ID #220
Preço: R$ 16.000,00
Desenhadas por Joseph-André Motte para a Steiner nos anos 1950, estas cadeiras pertencem ao momento em que o mobiliário francês do pós-guerra se reorganiza em torno de estruturas metálicas delgadas e produção seriada. Motte formou-se na École des arts appliqués à l'industrie, em Paris, e tornou-se conhecido em 1949 com a poltrona Tripodes, em rotim; em 1954 fundou o Atelier de Recherche Plastique com Pierre Guariche e Michel Mortier, período em que passa a desenhar para a Steiner. Criada em 1926 por Charles Steiner e dirigida a partir de 1948 por seu filho Hugues, a casa era especializada em assentos e havia se tornado um dos principais editores da nova geração francesa, convocando Guariche já em 1951 e o ARP a partir de 1954. É nesse contexto de encomenda industrial e desenho econômico que a peça se situa.
A estrutura é resolvida em barra de ferro maciça, curvada e laqueada em preto. Cada lateral parte de uma peça contínua: a perna dianteira desce em diagonal, dobra-se rente ao piso em um apoio corrido e retorna para trás, configurando um pé de trenó sem travessas ou reforços aparentes. Do mesmo perfil sobem duas hastes finas que passam por trás do assento e sustentam o encosto, mantido afastado dele por um vão livre. Assento e encosto são estofados separadamente e revestidos em veludo fino: o assento em bloco retangular de bordas espessas, a 44 cm do chão; o encosto mais delgado, levemente trapezoidal, com o topo mais largo que a base e curvatura suave nas laterais. O conjunto mede 74 x 48 x 58 cm.
O desenho se organiza pela separação entre o que sustenta e o que acolhe. O ferro permanece legível como linha contínua, do apoio no piso até o topo das hastes, enquanto os dois volumes estofados se apoiam sobre ele como elementos autônomos. O vão entre assento e encosto é a decisão central: impede que a cadeira seja lida como corpo único, mantém a estrutura visível em toda a sua extensão e reduz a massa percebida sem alterar as dimensões reais. O contraste se completa no estofamento, mais cheio do que a armação sugere, o conforto vem do preenchimento, não da estrutura. Esse ajuste entre linha mínima e volume denso reaparece em outros assentos que Motte desenhou para a Steiner ao longo da década.
As peças foram reestofadas em veludo fino, uma escolha que atualiza o conjunto sem interferir na leitura de seu desenho original.






















