Par de Cadeiras em Acrílico
Artista: Paolo Tilche
Data: 1970's
Edição: Arform - Brasil
Tipo: Cadeira
Dimensão: 80 x 60 x 68 cm Altura do assento: 42cm
Técnica: Estrutura em metal, assento em acrílico moldado
Status: Disponível
Cód ID #297
Preço: R$ 4.800,00
Paolo Tilche (1925–2003) nasceu no Egito, formou-se pelo Politécnico de Milão em 1949 e começou como arquiteto, com projetos residenciais e industriais — o Hotel Raya, em Panarea, é o mais conhecido deles. Em 1955 abriu em Milão a Arform, primeiro na via Turati e depois na via della Moscova, casa que reunia loja e produção de mobiliário e objetos. Membro da ADI, Tilche desenhou em paralelo para Ideal Standard, Guzzini, Bonacina, Barbini e Sirrah, e ficou conhecido pelo uso de formas pouco convencionais e de materiais então novos. Esta cadeira pertence ao momento em que o acrílico moldado entra no mobiliário como matéria de série, e traz sob o assento a plaqueta "arform BRASIL", registro de uma operação brasileira da casa cuja natureza exata, filial ou licenciada, não localizei documentada.
Cada cadeira se compõe de uma peça única de acrílico transparente, moldada de modo contínuo do encosto ao assento. O encosto é um trapézio alto de cantos arredondados; o assento se abre lateralmente em duas abas que se erguem em asa, e a aresta frontal sobe em onda. A espessura do material se lê nas bordas, onde a luz atravessa e concentra, com leve amarelamento nas extremidades. A base é uma estrela de quatro pontas em barra chata de metal acetinado, com ponteiras escuras nos apoios, sobre a qual se ergue uma coluna cilíndrica. Entre a coluna e a concha, um bloco escuro abriga o mecanismo giratório, coberto por uma chapa preta onde se fixam a plaqueta do fabricante e dois botões de acabamento em tom creme. Há inscrição em relevo na face inferior de uma das abas do assento. Medem 80 cm de altura por 60 de largura e 68 de profundidade, com assento a 42 cm.
A transparência inverte o que uma concha costuma fazer. Numa cadeira de casca opaca, o assento se lê como massa, um volume que ocupa espaço e projeta sombra. Aqui não há massa a ver: o acrílico só se manifesta onde a superfície curva ou termina, e o que o olho registra é contorno, não plano. Disso decorre a decisão formal da peça. As abas erguidas nas laterais e a onda da aresta frontal não são recursos de conforto; são os lugares onde o material dobra sobre si mesmo e passa a existir visualmente, concentrando luz numa linha. Todo o desenho está investido no perfil, porque é só o perfil que aparece. E a base faz o oposto com igual clareza: opaca, escura, mecânica, com o bloco do giro à mostra sob a concha. A cadeira esconde a massa e exibe o mecanismo, exatamente o contrário do que o mobiliário costuma fazer.
















