Mesa de Jantar
Artista: Maurício Azeredo
Data: c. 1990
Edição: Brasil
Tipo: Mesa de Jantar
Dimensão: 70 x 205 x 105 cm
Técnica: Mogno maciço, com encaixes entrelaçados aparentes e tampo de tábuas de largura variável.
Status: Disponível
Cód ID #516
Preço: R$ 24.000,00
Dois procedimentos explicam o desenho dessa mesa de jantar. O primeiro é um sistema de encaixes de alta precisão que Maurício Azeredo desenvolveu na oficina e patenteou, capaz de dispensar ferragem estrutural. O segundo é o aproveitamento quase integral da madeira: o desperdício em seu ateliê não passava de 5%, contra média em torno de 30% na indústria moveleira.
O mogno situa a peça com exatidão na década, foi nos anos 1990 que a espécie se tornou o centro do debate sobre a exploração da madeira amazônica, e que Azeredo se tornou sócio-fundador do Grupo de Compradores de Produtos Florestais Certificados.
A mesa se arma sobre quatro pernas de seção quadrada e um quadro perimetral que percorre os quatro lados sob a borda do tampo, tudo em mogno maciço. Nos cantos, o encontro entre perna e travessas é resolvido por encaixes múltiplos entrelaçados, cujos topos aparecem como uma sequência escalonada de pequenos retângulos que contorna a quina, legível tanto na face superior do quadro quanto na face externa da perna.
O tampo é composto por tábuas maciças de larguras marcadamente variáveis, unidas lado a lado com as juntas mantidas à vista como sulcos finos; as larguras se organizam em zonas, e campos retangulares de réguas estreitas se inserem no plano de tábuas largas, subdivididos por linhas transversais. Na face externa do quadro, rebaixos ovais alojam ferragens de fenda em intervalos regulares.
A decisão central é converter em conteúdo visual exatamente aquilo que a marcenaria costuma esconder: a junta e a emenda. Nos cantos, o encaixe não é disfarçado nem coberto, é o único acontecimento da peça, um pente de topos que declara como as partes se prendem. No tampo, as emendas não simulam superfície contínua; são desenhadas como linhas, e a variação de largura vira ritmo. Não há ornamento aplicado sobre a construção: a construção é todo o repertório. E o padrão decorre da economia do ateliê, aproveitar cada tábua na largura que a tora ofereceu, sem descartar as estreitas, produz precisamente esta composição, que registra o material disponível em vez de impor um desenho a ele. Tratando-se de mogno, uma das madeiras mais valiosas do repertório brasileiro, a recusa em descartar deixa de ser detalhe técnico. Todo o resto foi retirado: pernas sem perfil, quadro sem moldura, plano liso.
























