Sofá Pós Moderno
Artista: Nicoletti Salotti
Data: c. 1985
Edição: Itália
Tipo: Sofá
Dimensão: 84 x 224 x 75 cm
Técnica: Estrutura de madeira, espuma de poliuretano revestida.
Status: Disponível
Cód ID #534
Price: upon request
A Nicoletti foi fundada em 1967 por Giuseppe Nicoletti, em Matera, no sul da Itália, depois de ele passar alguns anos na Suíça trabalhando em uma empresa de instalações comerciais. A cidade fica no distrito da Murgia, que se tornou o maior polo de produção de estofados do país, o mesmo distrito de onde saiu a Natuzzi. É um dado que muda a leitura da peça. Este sofá não vem do circuito milanês de arquitetos e editoras que assina as poltronas de autor do mesmo período: vem de uma indústria meridional que se especializou em couro, desenhava internamente e exportava em contêiner. Entre os anos 1970 e 2000 a Nicoletti esteve entre os maiores fabricantes de sofás da Itália, presente em mais de setenta países. O que este sofá representa é o momento em que o estofado italiano em couro virou produto de exportação em massa, e a década de 1980 é o auge dessa operação.
A peça é construída inteiramente por rolos. Um cilindro grosso percorre o topo do encosto de ponta a ponta, contorna as extremidades e desce para a frente, formando a linha superior dos braços. Abaixo dele, um segundo rolo completa o braço, que desce em diagonal do encosto até a frente e se abre ligeiramente para fora. O encosto tem costuras horizontais que o dividem em faixas, e pela traseira as costuras são verticais. Sobre o assento, corrido de ponta a ponta, apoiam-se três almofadas de encosto com a mesma divisão em faixas. O volume inteiro é sustentado por duas lâminas espessas nas extremidades, também revestidas em couro, recuadas em relação às pontas do sofá, o que deixa a região central vazada e visível por baixo. O couro verde está bem marcado pelo tempo, com vincos profundos no rolo superior, manchas no assento e desgaste na costura frontal do braço esquerdo, onde o couro abriu.
Não há um único material aparente além do couro. Madeira, espuma, cintas e ferragens desaparecem sob o revestimento, inclusive nas duas lâminas de apoio, que em outro móvel seriam pés e aqui são volumes forrados como o resto. É o oposto exato da lógica moderna que organiza as peças vizinhas neste catálogo, onde a estrutura fica à vista e é ela que desenha o móvel. Aqui a estrutura é justamente o que se apaga, e o desenho acontece na superfície: na curva dos cilindros, na direção das costuras, no modo como uma única pele contínua envolve formas que não têm nada em comum entre si. O gesto que sobra de arquitetônico são as duas lâminas recuadas. Elas levantam a massa do chão e criam um vão central, o que impede o sofá de se comportar como um bloco pousado e lhe dá a leitura de algo apoiado em dois pontos.




















