Sofá Samba
Artista: Percival Lafer
Data: c. 1989
Edição: InterDomus Lafer
Tipo: Sofá
Dimensão: 80 x 138 x 86 cm Aberto (Cama) 138 x 180 cm
Técnica: Estrutura em madeira ebanizada com mecanismo retrátil sobre rodízios acionado por uma alavanca lateral.Estofado em tecido com capitonê.
Status: Disponível
Cód ID #525
Price: upon request
Percival Lafer nasceu em São Paulo, em 1936, e formou-se em arquitetura pelo Mackenzie. Logo após a formatura, com a morte do pai, assumiu com os irmãos a fábrica de móveis da família. Sob sua direção, a Lafer foi além do mobiliário em madeira e couro que a tornou conhecida. A empresa desenvolveu técnicas próprias de fibra de vidro com espuma injetada, produziu em escala as cabines telefônicas conhecidas como Orelhão e chegou a fabricar um carro, o MP Lafer, montado sobre chassi de Fusca. Nessa trajetória, Lafer manteve um interesse constante pelo móvel em movimento: segundo ele, a engenharia dos mecanismos sempre foi a parte mais fascinante do trabalho. O Sofá-cama Samba, de por volta de 1989 e produzido pela InterDomus Lafer, pertence à fase final da empresa, dedicada a móveis articulados.
Fechado, o Samba é um volume compacto e sem braços, inteiramente revestido em tecido laranja e apoiado sobre um rodapé recuado em madeira escura. O assento é um bloco estofado cuja frente se arredonda e desce sobre a base. O encosto, levemente inclinado, tem o topo enrolado e o capitonê disposto em uma linha horizontal, que se repete na face posterior. Entre o encosto e as laterais do assento, uma fresta deixa entrever a estrutura interna. Encosto e assento compõem uma única manta estofada, articulada em segmentos. Ao puxar a frente, uma estrutura de madeira ebanizada sobre quatro rodízios desliza de baixo do assento, com pernas travadas por mãos-francesas e longarinas. O encosto rebate para trás, e a manta se estende em uma superfície plana e contínua, marcada pela grade do capitonê.
A peça se organiza a partir da separação entre o que se vê e o que funciona. Toda a lógica mecânica fica concentrada embaixo, em uma estrutura de madeira robusta e sem acabamento aparente, enquanto a superfície visível se reduz ao estofado e à cor. Não há ferragens expostas, alavancas ou braços que denunciem a transformação: o sofá não se apresenta como sofá-cama. Essa decisão coloca o Samba em continuidade com o interesse de Lafer pelos mecanismos, mas inverte o modo de mostrá-los. Nas poltronas e sofás das décadas anteriores, a estrutura em madeira era o elemento de destaque. Aqui, ela trabalha escondida, e o desenho se resolve na proporção do volume e na continuidade da manta, que permanece legível tanto na posição de sofá quanto na de cama.






















